Espaços

25 de jul de 2013

Nadamos e não morremos!

                               


Ganhou. Meu Deus, o Galo ganhou! O título impossível, aquele que no fundo, bem no fundo, o atleticano já cogitava morrer sem comemorar, como muitos que morreram e não viram. O título da nossa redenção definitiva, a conquista que vai nos ensinar, de novo e de novo, que desistir não vale. Que a justiça, seja dos homens ou de Deus, ela pode falhar e tripudiar da gente – mas que tem uma hora que nem ela se aguenta, e nessa hora ela não falha.

Escrevo estas linhas das cadeiras do Mineirão, outrora as arquibancadas onde aprendi a ser homem. O jogo acaba de acabar, e eu não caibo em mim de felicidade e merecimento. Cada atleticano ao meu lado carrega uma aura em torno de si, uma luz que brilha dos olhos e do coração. A história de cada um deles será diferente a partir de hoje. O amor que floresce em cada uma dessas pessoas nesta noite – pretos, brancos, pobres, ricos – vai tornar o mundo mais justo e humano. Eu quero ter braços gigantes pra abraçar todos eles e dividir a maior emoção das nossas vidas.

O Galo campeão não cabe no jornal, não cabe no Mineirão – o Galo campeão não cabe no atleticano, e por isso precisamos chorar e chorar e chorar. E colocar pra fora 42 anos de uma espera e um amor que só quem torce pra essa entidade pode compreender. Eu me lembro do Vilibaldo Alves em 71: “Quareeeeeenta e cinco minutos!!! As lágrimas escorrem do meu rosto! O Galo é campeão, de fato e de direito! O campeão do Brasil!”. Lembro o Willy Gonzer, e espero que ele tenha narrado sozinho, na sala do seu apartamento, o título que eu quis tanto ouvir na sua voz. Obrigado, Willy. Obrigado ao time todo, por tudo que fizeste por nós nesta noite, que, pra sempre, pra todo o sempre, vai corresponder ao meu ideal de felicidade. Obrigado ao atleticano que me abraçou no Mineirão quando o Sérgio Araújo empatou aquele jogo contra o Flamengo na Copa União. A gente depois perdeu. Agora, é inacreditável, a gente ganhou. Merecimento pouco é bobagem.

Obrigado, meu Deus. Obrigado, Atlético, por me proporcionar a maior emoção da vida. Que eu duvido que alguém já tenha sentido igual, se não for Galo como estes 60 mil aqui do meu lado.

Obrigado, meu Galo querido. Já posso enfartar em paz.




Fred Melo Paiva

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